Baía de Guanabara

 

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A Baía de Guanabara é a segunda maior baía do litoral brasileiro (a primeira é a Baía de Todos os Santos, BA). Ela é um estuário localizado entre a cadeia de montanhas da Serra do Mar e o Oceano Atlântico no Estado do Rio de Janeiro e é rodeada por uma densa área urbana que está distribuída em sete municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Itaboraí, São Gonçalo e Niterói. Ela faz parte do dia a dia da população, seja através do uso de transportes, seja pela sua utilização como provedora de alimentos ou até mesmo como receptora de seus rejeitos.

ANO 1500

O mar batia diretamente nas áreas do mapa em áreas como o Outeiro da Igreja da Glória, a base do Morro da Viúva, os Arcos da Lapa, o Teatro Municipal, o Campo de Santana, o túnel do Pasmado, a base do Outeiro da Penha e a Rodoviária Novo Rio. Os manguezais estendiam-se por quase todo o litoral assegurando a produtividade biológica a baía. Os rios realizavam meandros antes de atingirem enseadas e estuários. Dezenas de aldeias indígenas orlavam a baía, utilizando de forma harmoniosa a sua riqueza biológica. Com uma grande diversidade de ecossistemas periféricos bastante produtivos, sendo fertilizada pela constante troca de água doce (de origem fluvial) e marinha, a produtividade e diversidade biológica da baía eram elevadíssimas, permitindo a proliferação de uma extensa cadeia de organismos, desde os minúsculos fito e zooplâncton, algas, crustáceos, moluscos e peixes até os grandes mamíferos aquáticos, como os golfinhos e baleias (Amador, 1997).


SÉCULO XVI

A Guanabara dos Tupis-Guaranis foi alcançada pela expedição portuguesa no dia 1º de janeiro de 1502. Não reconhecendo o Tratado de Tordesilhas, que distribuía as terras da América entre Portugal e Espanha, corsários franceses passaram a frequentar a Baía de Guanabara a partir de 1504 interessados em pau-brasil e em outros produtos da terra. Habilidosos, conquistaram os Tamoios e, por muito tempo, foram aliados contra os portugueses. Com o escambo do pau-brasil, iniciou-se um ciclo de desmatamento que iria consumir as reservas e contribuir para a destruição da Mata Atlântica. Em 1565, Estácio de Sá expulsa os franceses e os índios Tamoios e começa o processo de habitação da cidade. Embora derrotados, os franceses continuaram a frequentar o litoral brasileiro, principalmente na região nordeste, provocando violentos combates marítimos e terrestres entre portugueses e franceses durante todo o resto do século XVI. A Baía de Guanabara e os rios da Baixada iriam exercer um papel fundamental para a ocupação e colonização da região. Os locais escolhidos para acolher a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro tinham apenas uma razão: domínio e defesa da Baía de Guanabara para controle do sul do Brasil, de onde se tinha notícia de minerais preciosos. Nessa época, também, iniciou-se a caça da baleia. Com a sua predação em larga escala, as baleias foram extintas da Baía de Guanabara (Amador, 1997).


SÉCULO XVII

Nessa época, a ocupação do recôncavo da Guanabara se deu, fundamentalmente, em torno da monocultura da cana-de-açúcar. Além de derrubadas e queimadas para implantar a lavoura de cana, as matas forneciam madeiras para construções e lenhas para alimentar os engenhos. Várzeas, manguezais e brejos mais interiores foram dissecados com a abertura de drenagens, mantidas permanentemente pela mão-de-obra escrava. Único acesso ao interior do recôncavo, os rios tiveram papel preponderante na ocupação de região e escoamento da produção do açúcar produzido nos engenhos. Por eles subiam colonizadores, às suas margens localizavam-se os engenhos e por eles desciam a produção em direção à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que passa a ter com o ciclo de cana-de-açúcar sua função portuária e comercial. Essa expansão da cana-de-açúcar trouxe profundos reflexos na cidade, que adquire uma função portuária, como escoadouro da produção açucareira da região da Guanabara. Em um século, o revestimento vegetal da bacia contribuinte à Guanabara foi alterado e reduzido, ocasionando em impactos nos sistemas fluviais, nas lagunas e na própria baía. Um provável impacto na sedimentação já se esboçava na baía, produto do desmatamento e de algumas drenagens efetuadas. A produtividade também já estava sendo reduzida, com o início das intervenções nos ecossistemas periféricos, como as lagunas, brejos e manguezais (Amador, 1997).


SÉCULO XVIII

Motivado pelo ciclo da mineração, o Rio de Janeiro amplia sua região. Com isso, o contorno e a Bacia da Baía de Guanabara foram intensamente modificados. Na Baixada, é acelerado o desmatamento. A Mata Atlântica quase desaparece, limitando-se a áreas mais inacessíveis da Serra do Mar. Os manguezais passam a ser utilizados e a erosão nas encostas passa a ser observada, acarretando assoreamento dos rios e baía. Há um movimento em direção ao planalto e ocorre um aumento das povoações situadas junto aos portos fluviais. Sendo assim, a paisagem do contorno da baía já é bastante marcada pela urbanização, morros desmatados, novas fortificações que utilizam suas ilhas e o imenso número de embarcações que entram, saem e ancoram na Guanabara (Amador, 1997).


SÉCULO XIX

A vinda da Família Real, e sua numerosa corte, associada ao ingresso maciço de comerciantes ingleses e à ascensão no cenário político-econômico da aristocracia do café escravocrata ocasionou em grandes transformações para a Cidade do Rio de Janeiro. Houve um aumento da população e, com isso, a necessidade de ocupação de novos territórios. Na Baixada, a extensão do desmatamento atingiu o seu auge, com a expansão dos engenhos de açúcar, o ciclo do café e a produção de alimentos para abastecer o Rio. O café fez praticamente desaparecer a Mata Atlântica original, que só se conservou em alguns grotões e locais inacessíveis para a agricultura. Os reflexos do intenso desmatamento seriam sentidos no assoreamento dos rios da Baixada que passaram a oferecer dificuldades para a navegação (Amador, 1997).


SÉCULO XX

O modelo urbano-industrial de desenvolvimento, que começou a se delinear de forma efetiva a partir da crise cafeeira do final da década de 1920, passou por diversas fases que terão repercussão no processo de urbanização ,crescimento populacional, estratificação social, concentração de renda, segregação social, dependência do capital internacional e geração de impactos ambientais na Baía de Guanabara e região. A reforma Pereira Passos (1904-1908) e as outras intervenções estilistas efetuadas no espaço urbano só fizeram ampliar o número e tamanho das favelas, quando grande número de cortiços e habitações populares foi demolido para dar passagem às largas avenidas da cidade burguesa. Boa parte do material utilizado para a construção dos casebres das primeiras favelas no início do século tem procedência das demolições, sobras ou mesmo lixo das derrubadas. A favela se constrói com o material “marginal” das demolições e construções. Em 1920, o Prefeito Carlos Sampaio iniciou o desmonte do Morro do Castelo. O material do desmonte foi utilizado para aterrar a baía e ganhar novas áreas. A partir dos aterros produzidos com o material do desmonte do Morro do Castelo, o Aeroporto Santos Dumont foi construído em 1934. Já no final do século XX, sob influência do Neoliberalismo, a região da Guanabara foi abalada por uma série de projetos e eventos no sentido de produzir a imagem de uma cidade moderna e atrair investimentos. Entre os principais projetos foram incluídos a Linha Vermelha, o pólo do gás, os diversos projetos e programas de Recuperação da Baía de Guanabara, o Rio Orla e o Rio Cidade (Amador, 1997).


A qualidade das águas na Baía de Guanabara vem decrescendo ao longo do tempo, e atualmente o cenário é o pior de todos os tempos. Isso é devido ao aumento descontrolado da população na bacia de drenagem, desacompanhado de tratamento de esgotos compatíveis com essa crescente população. Além dos esgotos domésticos, existem diversas outras fontes de poluição industrial, que se somam aos esgotos domésticos. A consequência final é o cenário de degradação presente nos dias de hoje. Mas apesar de enorme degradação ambiental, ainda existe uma quantidade apreciável de recursos vivos, que surpreende até mesmo os especialistas. Isso é uma importante justificativa para os investimentos em sua recuperação (Amador, 1997).


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA : AMADOR, E.S. Baía de Guanabara e ecossistemas periféricos: Homem e Natureza. Rio de Janeiro: Reproarte, 1997.

Participação do Laboratório na Baía de Guanabara

 

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Apesar de enorme degradação ambiental, ainda existe uma quantidade apreciável de recursos vivos, que surpreende até mesmo os especialistas. Isso é uma importante justificativa para os investimentos em sua recuperação.